O mercado de capitais superou os bancos
Pela primeira vez na história, o mercado de capitais superou os bancos como fonte de crédito para empresas no Brasil. E para quem acompanha a evolução desse mercado desde o início, como nós, esse dado tem um gosto especial.

Destaques

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Operação de Renda Fixa concluída de ponta a ponta
Recentemente, inauguramos no Kria a Renda Fixa Digital, uma classe de ativos complementar, mais dinâmica e alinhada ao investidor moderno. Agora, voltamos para compartilhar novidades: o CRI Pinheiros 114, projeto que marcou o nosso piloto de lançamento, foi concluído com sucesso, representando o primeiro ciclo completo dessa nova frente.
O projeto foi liquidado em 107 dias, gerando um retorno de 5,04% em apenas 3,5 meses — o equivalente a 18% ao ano, com isenção de IR.
Durante o período do investimento, as atualizações foram enviadas mensalmente aos investidores, direto da plataforma:

Além disso, a operação foi importante para implementarmos, ainda em beta, nosso novo módulo de visualização do investimento, com atualização dos juros recebidos:

"Eu sempre investi em CDBs e fundos, mas nunca tinha participado de uma operação como o CRI Pinheiros 114. O processo foi bem simples, consegui entender o projeto e acompanhar tudo direto pela plataforma. Recebi os recursos direto na minha conta corrente. Seguirei investindo nesse tipo de oferta"' Juliana, investidora do CRI Pinheiros 114
Agradecemos a todos os investidores que confiaram no Kria e participaram dessa primeira operação. Seguimos comprometidos em oferecer oportunidades criativas e com rentabilidade acima do tradicional, sustentadas por estruturas robustas de garantias e prazos coerentes.
Quer acompanhar as próximas operações de Renda Fixa Digital?
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O primeiro bilhão das Plataformas
Quem acompanha o Kria já faz um tempo sabe que estamos há anos (mais precisamente, há 11 anos) empreendendo pela democratização do acesso ao capital, dos dois lados - dos investidores e dos empreendedores.
Falamos por aqui sobre o tal novo mercado de capitais sempre com uma visão de futuro. Mas e quando o futuro chega? Não se preocupe, não estou aqui para filosofar sobre o tempo, mas para compartilhar que o mercado de capitais está em uma acelerada evolução desde 2024.
Então, prepare o cafezinho e acompanhe a Newsletter de hoje, que traz um panorama sobre essa nova fase do mercado de capitais no Brasil.
O primeiro bilhão das Plataformas

Até 2023, as Plataformas de Investimento Coletivo transacionavam, na sua totalidade, menos de R$300 milhões por ano, uma participação de 0,05% no volume total das operações no mercado de capitais, de acordo com o Boletim Econômico da CVM. Mas em 2024, esse número saltou para R$1.3 bilhões em emissões via Plataformas. E para 2025? Até o final do 1o semestre, já foram R$2.2 bilhões - e a participação no volume das operações, subiu para 0,5%.

O motor dessa virada? A Renda Fixa Digital.
Em 2023, a CVM publicou orientações para tokenizadoras e securitizadoras, estendendo a aplicação da Resolução 88, antes restrita ao crowdfunding, para esse novo universo de ativos.
Com isso, a Resolução 88 se consolidou como o principal arcabouço regulatório do novo mercado de capitais. Distribuições de ativos securitizados, como CRIs, CRAs e outros certificados de recebíveis, passaram a ser mais simples e economicamente viáveis mesmo em operações menores.
Além da simplificação, essa mudança destravou um mercado com potencial multibilionário.
Estima-se que a necessidade anual de crédito das PMEs supere R$700 bilhões. O gap de financiamento ainda pode ser muito maior se considerarmos o estoque de crédito privado. Hoje menos de 0.5% desse crédito está disponível através das Plataformas de Investimento Coletivo - mas a tendência, como já vimos, é de aumento exponencial.
O que vem pela frente

Para que esse mercado se consolide como o principal canal de acesso a esses ativos, algumas adaptações regulatórias ainda são necessárias — e a CVM já está se movimentando.
Nas próximas semanas, a autarquia deve colocar em consulta pública novas regras para a Resolução 88. As mudanças devem ser significativas: aumento de limites, entrada de novos participantes... Há até a possibilidade de a Resolução 88 ser substituída por uma nova norma.
Aqui no Kria, acompanhamos de perto — e com entusiasmo — os avanços regulatórios e de mercado. Recentemente, lançamos em nossa Plataforma novas operações de Renda Fixa Digital, com rendimentos acima de 20% a.a. e prazos entre 12 e 18 meses.
📰 Lançamos também uma nova Comunidade de Avisos através do WhatsApp, por onde compartilharemos notícias sobre o mercado e novos lançamentos.
>> Acessar a Comunidade Kria <<
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O primeiro bilhão das Plataformas
Quem acompanha o Kria já faz um tempo sabe que estamos há anos (mais precisamente, há 11 anos) empreendendo pela democratização do acesso ao capital, dos dois lados - dos investidores e dos empreendedores.
Falamos por aqui sobre o tal novo mercado de capitais sempre com uma visão de futuro. Mas e quando o futuro chega? Não se preocupe, não estou aqui para filosofar sobre o tempo, mas para compartilhar que o mercado de capitais está em uma acelerada evolução desde 2024.
Então, prepare o cafezinho e acompanhe a Newsletter de hoje, que traz um panorama sobre essa nova fase do mercado de capitais no Brasil.
O primeiro bilhão das Plataformas

Até 2023, as Plataformas de Investimento Coletivo transacionavam, na sua totalidade, menos de R$300 milhões por ano, uma participação de 0,05% no volume total das operações no mercado de capitais, de acordo com o Boletim Econômico da CVM. Mas em 2024, esse número saltou para R$1.3 bilhões em emissões via Plataformas. E para 2025? Até o final do 1o semestre, já foram R$2.2 bilhões - e a participação no volume das operações, subiu para 0,5%.

O motor dessa virada? A Renda Fixa Digital.
Em 2023, a CVM publicou orientações para tokenizadoras e securitizadoras, estendendo a aplicação da Resolução 88, antes restrita ao crowdfunding, para esse novo universo de ativos.
Com isso, a Resolução 88 se consolidou como o principal arcabouço regulatório do novo mercado de capitais. Distribuições de ativos securitizados, como CRIs, CRAs e outros certificados de recebíveis, passaram a ser mais simples e economicamente viáveis mesmo em operações menores.
Além da simplificação, essa mudança destravou um mercado com potencial multibilionário.
Estima-se que a necessidade anual de crédito das PMEs supere R$700 bilhões. O gap de financiamento ainda pode ser muito maior se considerarmos o estoque de crédito privado. Hoje menos de 0.5% desse crédito está disponível através das Plataformas de Investimento Coletivo - mas a tendência, como já vimos, é de aumento exponencial.
O que vem pela frente

Para que esse mercado se consolide como o principal canal de acesso a esses ativos, algumas adaptações regulatórias ainda são necessárias — e a CVM já está se movimentando.
Nas próximas semanas, a autarquia deve colocar em consulta pública novas regras para a Resolução 88. As mudanças devem ser significativas: aumento de limites, entrada de novos participantes... Há até a possibilidade de a Resolução 88 ser substituída por uma nova norma.
Aqui no Kria, acompanhamos de perto — e com entusiasmo — os avanços regulatórios e de mercado. Recentemente, lançamos em nossa Plataforma novas operações de Renda Fixa Digital, com rendimentos acima de 20% a.a. e prazos entre 12 e 18 meses.
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O que é a Renda Fixa Digital?
Depois de anos liderando a democratização dos investimentos em startups no Brasil, o Kria está ampliando sua atuação para um novo e promissor mercado: a Renda Fixa Digital. Essa nova fase da plataforma oferece aos investidores uma alternativa segura, acessível e com rentabilidade atrativa — tudo 100% online.
💡 O que é Renda Fixa Digital?
A renda fixa digital é um tipo de investimento emitido por empresas fora do sistema bancário tradicional. Funciona de forma semelhante a um título de dívida: você empresta dinheiro a uma empresa e ela se compromete a devolver o valor com juros e em um prazo definido.
Tudo isso é feito em ambiente digital, com documentos assinados eletronicamente, acompanhamento pela plataforma e sem intermediação de grandes bancos ou corretoras.
Exemplos de ativos de renda fixa digital:
- Notas Comerciais
- Cédulas de Crédito Bancário (CCBs)
- Debêntures
- FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios)
🧭 Quais são as principais características?
🔒 Previsibilidade
Você sabe desde o início qual será o rendimento (por exemplo: 18% ao ano), qual o prazo de vencimento (ex: 12 meses) e como será o pagamento (mensal, semestral, no vencimento etc.).
📈 Rentabilidade atrativa
Muitas ofertas têm retornos acima do CDI e da poupança, com risco controlado. É uma forma eficiente de equilibrar a carteira com ativos mais conservadores, mas com rendimento real.
📄 Contratos digitais e regulamentados
Todos os títulos seguem normas da CVM e do Banco Central. A emissão e assinatura dos documentos são 100% digitais, com acompanhamento transparente.
🎯 Finalidade clara do recurso
O investidor sabe exatamente para onde vai o dinheiro: capital de giro, expansão, antecipação de recebíveis etc. Isso permite alinhar investimento com impacto.
💰 Baixo valor mínimo
É possível investir a partir de R$ 1.000, tornando acessível o que antes era restrito a grandes investidores institucionais.
🛡 Garantias reais ou pessoais
Os títulos podem contar com diferentes formas de proteção ao investidor, como alienação fiduciária de bens, recebíveis ou avais de sócios. Isso reduz o risco de inadimplência e dá mais segurança ao investimento.
📊 Um mercado em crescimento no Brasil
O mercado de renda fixa privada já movimenta mais de R$ 600 bilhões por ano. Empresas de todos os setores estão buscando captar recursos fora dos bancos — e investidores estão aproveitando esse movimento para obter rentabilidades melhores com riscos bem avaliados.
🌱 Por que investir com o Kria?
✅ Experiência comprovada: Mais de 10 anos de mercado, com mais de R$ 70 milhões captados por mais de 100 empresas.
✅ Curadoria técnica: O Kria avalia criteriosamente as empresas e as ofertas, considerando risco de crédito, modelo de negócio e saúde financeira.
✅ Transparência e simplicidade: Acompanhamento via plataforma, sem “letras miúdas”, e com suporte real para investidores.
✅ Compromisso com a democratização: A missão do Kria continua sendo a mesma: abrir o mercado de capitais para todos — com segurança, informação e autonomia.
🔐 A Renda Fixa Digital é o equilíbrio entre previsibilidade, rentabilidade e autonomia. E com o Kria, você investe nesse mercado com a confiança de quem já transformou o acesso ao investimento em startups no Brasil.
👉 Comece agora em kria.vc

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Um novo capítulo na história do Kria
Em 2014, fundamos o Kria com uma missão ousada: democratizar o mercado de capitais no Brasil. Acreditamos que o acesso ao capital — esse motor que impulsiona inovação, crescimento e impacto — não deve ser privilégio de poucos, mas uma ferramenta nas mãos de muitos.
Fomos pioneiros ao lançar a primeira plataforma de equity crowdfunding do país, permitindo que qualquer pessoa pudesse investir em startups promissoras. Desde então, estruturamos mais de 100 ofertas públicas, movimentamos R$136 milhões em investimentos e construímos um portfólio com empresas que atraíram os principais fundos de venture capital do Brasil e do mundo — com mais de 15 exits ao longo do caminho.
Agora, damos um novo passo.
Depois de 10 anos construindo um ecossistema robusto, ampliamos nossa atuação para além do investimento em startups, consolidando o Kria como uma plataforma completa para quem deseja investir em real world assets — ativos do mundo real.
Nosso primeiro movimento nessa direção é a renda fixa digital, uma classe de ativos complementar, mais dinâmica e alinhada ao investidor moderno. O que antes era restrito aos grandes bancos e a poucos investidores institucionais, passa a estar ao alcance de uma base mais ampla — de forma direta, segura e transparente.
Três forças sustentam essa expansão:
1. Um mercado com forte demanda por crédito
O gap de financiamento para PMEs no Brasil é estimado em mais de R$500 bilhões, segundo o SME Finance Forum. Enquanto os grandes bancos priorizam empresas de maior porte, as pequenas e médias seguem com acesso restrito à capital.
Por outro lado, cresce o apetite de investidores por ativos de renda fixa com melhor relação risco-retorno, impulsionado por taxas de juros elevadas e maior maturidade financeira.
A renda fixa digital nasce desse encontro: conecta empresas com necessidade de capital a investidores em busca de alternativas rentáveis, seguras e transparentes.
2. Um ambiente regulatório favorável
Nos últimos anos, a CVM tem modernizado o arcabouço regulatório com uma abordagem construtiva. A Resolução CVM 88/22 e o Parecer de Orientação nº 40/22 permitiram que plataformas como o Kria atuem diretamente na estruturação e distribuição de ativos tokenizados e securitizados — como CRIs, CRAs e recebíveis — com mais eficiência e menos intermediação.
Essa evolução torna possível operar com agilidade e baixo custo, sem abrir mão da segurança jurídica, da rastreabilidade e da transparência para o investidor.
3. Uma plataforma preparada para liderar
Enxergamos a renda fixa digital como uma extensão natural da missão do Kria. Temos uma base sólida de investidores, expertise regulatória e tecnologia proprietária que nos permite transformar estruturas complexas em experiências simples e acessíveis.
Assim, o Kria se transforma em uma plataforma mais conectada ao novo mercado de capitais:
• Para investidores, novas oportunidades de diversificação com lastro real.
• Para empresas, acesso inteligente a capital em diferentes estágios e formatos.
• Para todos, um mercado mais moderno, aberto e conectado com o futuro.
O novo mercado de capitais será mais digital, mais descentralizado e mais conectado à vida real. E o Kria está aqui para liderar essa transformação.
Crie conosco o futuro dos investimentos.

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Precisamos olhar para founders de fora do nosso círculo
Atualmente, o principal meio da empreendedora acessar investidores é através de suas redes de contatos. É comum vermos fundos com recomendações de que a melhor forma de chegar é via warm intros. Nesse sistema, a empreendedora deve chegar com validação de alguém que o investidor conhece e confia.
Essa validação é um primeiro “corta-mato” para investidores que analisam centenas de negócios. E quanto mais qualificada vem a oportunidade (e aqui me refiro ao “naipe” do introdutor) mais avançada a startup entra no funil de seleção.
Se seguirmos o princípio do Pareto, que nos ensina a fazer o 20% principal, responsável por 80% do resultado, o modelo de warm intros parece ser o ideal. O investidor constrói uma rede de contatos forte e qualificada, que origina os melhores negócios. A falácia aqui está no que configura os melhores negócios: pela lógica das warm intros, seriam fatores essencialmente demográficos e sociais, que excluem a grande maioria dos empreendedores e empreendedoras brasileiras.
Como investidores com a oportunidade (e responsabilidade) de apostar nos potenciais grandes negócios do futuro, deveríamos ter um sistema que beneficia verdadeiramente a qualidade dos negócios e das pessoas a frente deles, sem enviesar a análise pela sua origem.

Resgatando o Venture do VC
O mercado de Venture Capital se baseia na busca por outliers — negócios fora da curva, de alto crescimento. E o outlier é, na própria essência da palavra, um fora do padrão. Mas às vezes parece que padronizamos o significado de fora do padrão.
O empreendedorismo brasileiro vai muito além dos jovens com MBA em Harvard, MIT ou Duke. O Brasil é praticamente um continente: os problemas, soluções e oportunidades de cada estado são diversos. Mas nossa atuação baseada em uma rede fechada — qualificada, porém pouco diversa — nos impede de encontrar novos mercados. São Paulo concentra 31% do PIB brasileiro, porém mais de 80% do volume de Venture Capital. Precisamos descentralizar o investimento, e fomentar polos para além de São Paulo, Rio de Janeiro ou Floripa.

Lembro no começo do ano de conversar com um empreendedor e reproduzir, com certa segurança, a visão de que não falta capital para bons negócios. Adorava a frase do Sam Altman, de que é mais fácil receber investimento do que investir (ainda que o mercado norte americano é muito mais desenvolvido do que o brasileiro, temos capital em abundância por aqui).
Hoje entendo que essa visão se aplica apenas às startups que estão no círculo do VC. Analisemos os investimentos que acontecem: Há uma competição por um pequeno número de insiders deals. Os empreendedores têm o poder de barganha e podem escolher quem querem entrando na rodada, e vemos algumas vezes os mesmos fundos compondo juntos as rodadas.
Mas o círculo do VC é pequeno. Geralmente os investidores compartilham das mesmas redes de contatos (segundo o Emerging VC Fellows, os analistas de investimento são homens, moram em São Paulo e cursaram administração na FGV ou USP). Existe uma competição pelos melhores investimentos, mas nossa visão de oportunidades está muito restrita ao nosso meio. Não estamos todos pescando no mesmo aquário?
A próxima grande coisa pode vir de qualquer lugar
Quando completou 10 anos (2015) , o fundo First Round Capital publicou um estudo em que compartilha 10 lições aprendidas sobre performance dos investimentos. A Lição #9 é de que “A próxima grande coisa pode vir de qualquer lugar”: as empresas que eles descobriram via outros canais — Twitter, Demo Days — performaram 58% melhor do que as que chegaram via referência. Empreendedores que chegaram direto a eles, performaram 23% melhor.

Precisamos reconfigurar o Venture Capital para um modelo que não seja baseado em redes de contatos acima de talento ou oportunidade. Falta de diversidade nos empreendedores é um dos resultados dessa estrutura. Perder oportunidades fantásticas de investimento é outro.
Na prática, o que podemos fazer?
Expandir nossas redes
Redes são essenciais. Sempre acreditei (e com o Kria pude comprovar) o seu valor. Empreendedoras sem rede terão diferentes desafios pela frente. Empreender é se relacionar: para atrair talentos, negociar com fornecedores e acessar clientes. Mesmo se a rede é condição sine qua non para o sucesso de um negócio, não deveria ser para o investimento.
Em tempos em que os investidores oferecem uma gama de produtos para catapultar suas investidas, a rede é o principal deles! Nutrir uma rede forte é grande parte do trabalho de quem investe. Minha provocação aqui é por diversificarmos mais as nossas redes, torná-las mais abertas, e com espaço para que gente de fora possa também fazer parte.
Transparência na forma que as empreendedoras podem nos acessar
Deixar aberto, a mercado, o modelo de aplicação para receber investimentos. Esclarecer o tipo de negócio que busca, as validações prévias necessárias, e a melhor forma (e materiais) para receber e analisar oportunidades de investimento.
Deveria ser como um processo seletivo. A candidata vê a vaga, e deve atender os requisitos para aplicar. Em processos mais elaborados, pode-se aplicar questionários de pré-qualificações automáticas, ou até testes que já realizam a primeira filtragem.
Para o sistema funcionar, a empreendedora deve fazer sua parte: aplicar apenas para investidores que o englobam na tese, no formato solicitado (e com as informações solicitadas). Entendemos que há alta expectativa em jogo, mas recusar uma oportunidade de investimento é parte do trabalho — já vi empreendedores levando para o pessoal. Não leve para o pessoal.
Toda boa empreendedora deveria ter acesso às instituições de capital de risco. Claro que devidamente dentro da tese de investimentos, e seguindo um processo claro que não sobrecarregue os investidores. O ideal seria um sistema aberto e democrático, que filtre e qualifique o alto fluxo de negócios que surgem, mas que passado o filtro, dê atenção a eles, independente de conexão com a rede dos fundadores. E isso não é solucionado apenas com um produto, precisamos mudar a cultura!
Vamos lá?
Formulário para aplicação no Kria
É um modelo simples, criado no Airtable — versão gratuita, fácil de editar e ótimo para gestão de dados, com tudo o que buscamos em uma primeira filtragem: https://airtable.com/shrz6cFyOqJ57DwoQ
Tempo de resposta: 10 dias
Para quem é:
Seed a Série A
Faturamento de até R$10 milhões/ano
Empreendedoras(es) com forte tese de comunidade, em especial nos mercados de: Bens de Consumo, B2C, Marketplaces; SaaS e Fintech

Referências e aprofundamento
- Esse artigo do Del Johnson é a base e principal inspiração. Ele aprofunda ainda mais no tema.
- O livro Factfulness aborda uma visão macro sobre como limitamos nosso olhar para o mundo, e perdemos grandes oportunidades por isso.
- Artigo de André Francisco Alves Moura sobre diferenças regionais no cenário do Venture Capital, para Época Negócios
Um contraponto (porque é sempre bom conhecer diferentes abordagens):
- O fundo Astella compartilhou uma análise da origem de seu dealflow. Neste ano fizeram o primeiro investimento originado por um cold call. Eles construíram uma rede bastante rica, responsável pelas indicações de investimentos. A boa performance do portfólio pode respaldar a força da rede.
Por fim, algumas observações:
1. O que escrevo não é sobre a qualidade e potencial dos deals que estão sendo feitos, mas sim dos que não estão.
2. Minha provocação é também uma autocrítica. Temos muito a diversificar dentro do Kria!

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Qual o preço da imortalidade?
Querida comunidade Kria,
Já pensou em viver para sempre? Posso dizer que alguns bilionários já, o suficiente para estarem financiando pesquisas para chegar o mais próximo disso possível. Do outro lado, existem pessoas usando a tecnologia para gerar melhor qualidade de vida para idosos na atualidade.
A news de hoje é sobre a relação entre tecnologia e envelhecimento. Café na mão?

A candidatura do atual Presidente Democrata Joe Biden à reeleição movimentou a imprensa e a internet acerca da ideia do envelhecimento. Uma das pautas de maior fascínio da sociedade – desde o antigo Egito, até o Renascimento – tem sua cota de fascínio também no Venture Capital.
O que pode parecer uma premissa meio irreal ou cyberpunk é, na verdade, uma tendência: acreditando que a morte é o próximo problema a ser resolvido, surge uma busca interessante por auxílio da tecnologia para a longevidade. Estou falando de empresas que buscam prolongar a vida…indefinidamente. E, para isso, o mercado de VC entra como uma forma de arrecadar fundos para as pesquisas dessas empresas.
As iniciativas são diversas: existem iniciativas que tentam reverter o envelhecimento a nível celular, enquanto outras apenas o retardam e, quando nenhuma das duas foi o suficiente, a criogenia entra com muita relevância aqui. Sobre essa última em específico, sua força é tão grande que já existem formas de você proteger seu patrimônio por até quinhentos anos como parte de uma ideia de “quando voltar, terei acesso”. Pegaram a vibe de faraós e suas pirâmides?
O mercado é tão reservado que mesmo achar dados sobre seu tamanho é complicado, mas os investimentos estão em algo entre $5Bi a $6Bi anualmente. Diferente dos mercados mais populares no Venture Capital, como fintechs, SaaS ou A.I, o investimento é extremamente mais arriscado e de longo prazo. Isso porque demanda anos de pesquisas científicas e experimentações: ou seja, um ciclo de financiamento muito superior ao prazo dos fundos. É por isso que a Indústria da longevidade é sustentada por fundos específicos e alguns bilionários. Entre os investidores, temos grandes nomes como Sam Altman (OpenAI), Jeff Bezos (founder Amazon), Larry Page e Sergey Brin (founders Google), Peter Thiel (PayPal) e Larry Ellison (Oracle).
Enquanto alguns buscam a vida eterna, um movimento mais expressivo de negócios quer melhorar a qualidade de vida dos idosos: as age techs. A ideia geral é criar aparatos para que a tecnologia ajude a proporcionar uma vida digna, com melhores condições de saúde, independência, mobilidade e inclusão social.
Quando falamos do mercado de age techs, o cenário é promissor e bem menos sigiloso: de acordo com a the Gerontechnologist, espera-se que chegue aos US$2 trilhões investidos. Isto é motivado por dois fatores: o crescimento da chamada “Economia da Longevidade” (gastos de mais de 50 anos), que foi de $26Bi para $37Bi a nível mundial; e crescimento na taxa de digitalização, que pulou de 4% para 8%.
Falar sobre a tecnologia para alongar a vida é sempre interessante. E, seja com visionários quase loucos querendo perpetuar a existência ou com visionários mais tranquilos que buscam melhorar a vida que já temos, o mercado se equilibra.

Julho é a época dessa pergunta. Felizmente, a Slinghub já lançou o material do Q2 da américa latina, trazendo mais informações sobre como foi. E, cobrindo de forma simples: o volume investido aumentou um tanto, seja na comparação entre quarters, seja na comparação entre anos. Ainda assim, o número de rounds diminuíram.

Assim, os rounds estão maiores. Por aqui, chegamos até a ver o late stage, com rounds B e C sendo celebrados! Mas o pódio continua com o early stage, com 112 rodadas em LatAm, da qual 74 são no Brasil.
Estamos de olho com as próximas movimentações.
Obrigada por ter me acompanhado até o fim de mais uma news! Nos encontramos toda quarta-feira, 16h37, na sua caixa de e-mail! Dúvidas, opiniões, feedbacks? Basta me mandar um e-mail! :)
E não esquece também de encaminhar esse e-mail para seus sócios, colegas de trabalho e amigos. (Se você recebeu o email pela primeira vez agora, faça o cadastro no nosso site para receber as próximas edições.)
Au revoir,
Le, do Kria
Comunicação e comunidade

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O dilema do efeito de rede
Durante este ano, a força do Tiktok — mais de 800 milhões de usuários, pauta diplomática em meio à maior crise de saúde do século — me provou a potência dos negócios baseados em rede. Por outro lado, a manifestação dos entregadores de aplicativos de delivery mostrou a fragilidade dos negócios baseados em rede.
As recentes discussões sobre os modelos de negócios das big techs e as formas com que exploram (ou manipulam) informações lançou luz sobre como os negócios que atingem um monopólio com uma rede conseguem influenciar e dominar mercados em escalas globais. Neste artigo compartilharei com você uma visão do fenômeno de efeito de rede.
A potência dos negócios baseados em rede
O efeito de rede (ou network effect) ocorre em um negócio quando o produto ou serviço se torna mais relevante de acordo com o crescimento da rede. Em outras palavras, quanto mais conexões fortes, mais valioso o negócio se torna, até atingir uma massa crítica que transforma a rede em um dos principais ativos e defesas da empresa.
O efeito de rede é na sua essência uma ferramenta de potencialização de negócios, e o seu valor é explorado de diversas maneiras: para redes sociais, cada novo usuário que se conecta e engaja é em si um ativo.Para marketplaces, quanto maior a demanda, mais atratividade para ofertar e vice versa. Outros negócios conseguem se destacar em dados: quanto maior a rede, mais informação ela gera, e a conversão dessa informação em inteligência fortalece por sua vez a vantagem competitiva. Temos casos de redes que constroem colaborativamente o produto com as empresas e redes que diminuem custos dos serviços.
Analisemos o TikTok: qual a graça do aplicativo para 5 usuários? Ou até 500? A frequência e diversidade de conteúdos é baixa. Você se conecta menos e gasta pouco tempo em cada conexão. Mas cada novo membro que entra no TikTok engrandece a rede, até um momento em que temos novos conteúdos surgindo a cada instante — as pessoas passam a se conectar mais e gastar mais tempo no aplicativo. O Tiktok fica então mais interessante e atrai mais usuários. Os novos usuários, por sua vez, aumentam a atratividade do aplicativo. E por aí vai (e foi, até os 800 milhões de usuários).
Número de usuários não é efeito de rede.
O efeito de rede é composto de:
1. Elementos: são os membros da rede — como os usuários ou as contas. Diferentes elementos podem ter variados papéis em uma mesma rede (ex. comprador/vendedor). O tamanho da rede é determinado pelo número dos elementos, mas isso não determina o valor dela.
2. Conexões entre os elementos: ligações que os elementos têm entre si, que por sua vez podem ser diretas ou indiretas, de 1:1 ou de 1:muitos. As conexões não são todas iguais — têm forças diferentes, de acordo com a frequência, proximidade e importância das trocas. A forma com que os elementos se conectam entre si, e as possibilidades de conexões, cria redes de diferentes densidades. Quanto mais interligados os elementos da rede, maior a sua densidade.

De acordo com o Venture Capital Nfx, 70% do valor criado no mercado tech desde 1994 vem do efeito de rede, sendo ele o principal atributo das empresas de tecnologia mais valiosas. Isso significa que o sucesso desses negócios está altamente atrelado à potência da rede. Para o bem e para o mau.
A fragilidade dos negócios baseados em rede

Na semana em que a Uber debutou na bolsa de valores, com um discurso inspirador sobre o valor dos motoristas para a construção da empresa, os motoristas estavam nas ruas protestando contra as condições de trabalho. Neste ano, entregadores das gigantes de delivery — iFood e Rappi — foram também às ruas protestar por melhores condições.
Quando os membros da rede não estão “fechados com o negócio”, o negócio está ameaçado.
É normal termos alguns elementos não fidelizados em nossa rede — e pode ser que esse é o contexto de Uber, Rappi e iFood. O problema é quando eles representam uma massa relevante e substancial para o valor do negócio: o membro insatisfeito abandona a rede (ou continuará lá até encontrar uma oportunidade melhor). O abandono em massa faz com que a rede perca o valor. A perda de valor gera um efeito de rede negativo. E por aí vamos novamente.
O que perpetua um negócio network based é a sua capacidade de continuamente gerar valor para a rede, e manter os elementos engajados e motivados.
E quando falo de mantê-los engajados, não é através de manipulação comportamental ou produtos viciantes. É sobre realmente olhar para os membros da rede, como participantes ativos e livres, e não como produto ou capital. Aqui entra a importância de se construir comunidades. Entenda comunidade como um senso de pertencimento, uma reação psicológica/emocional que fortalece o nosso vínculo com o negócio.
“ O senso de comunidade é o sentimento que os membros têm de pertencimento, o sentimento de que os membros importam um para o outro e para o grupo, e uma crença compartilhada de que as necessidades dos membros serão atingidas através do compromisso de estar junto” — McMillan

A dinâmica de construção de comunidades não é de hoje (e nem da época do Orkut!): é uma estrutura social básica. Nós nos conectamos a grupos de acordo com afinidades, contexto e objetivos em comum; e quanto maiores as similaridades, mais forte nossos elos e senso de pertencimento.
Se um negócio tem em sua essência a rede, é valioso que tenha com essa rede uma comunidade: que eleva os vínculos participante < > empresa e cria uma identidade forte, e que gera identificação entre os membros.
E claro, não basta chamar um grupo de comunidade para que ele o seja. Os participantes da comunidade devem perceber uma troca de influência — de que são importantes para o grupo, e de que o grupo é importante para eles — e uma intimidade com os outros membros — a sensação de que irão compartilhar histórias e experiências. Por fim, o mais importante, é a noção de que as suas necessidades serão atendidas por pertencer ao grupo.
Nesse momento — que o valor oferecido é bom o suficiente, que os momentos bons e os perrengues são compartilhados, e que há uma sensação de ser importante -, a rede se torna uma comunidade. E o efeito de comunidade é muito mais forte que o efeito de rede.
Originally published at https://www.snaq.co.


